Esboço da Lição1: A Carta aos Hebreus e a Excelência de Cristo
12 de fev. de 2018
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Lição 01 – A carta aos Hebreus e a excelência de Cristo.
A) INTRODUÇÃO AO TRIMESTRE
Damos graças a Deus por estarmos a iniciar mais um ano letivo da Escola Bíblica Dominical, depois de um ano difícil em todos os aspectos, notadamente os espirituais, quando testemunhamos que estamos, realmente, nos tempos finais da Igreja sobre a face da Terra, o que nos anima a prosseguirmos nossa vida de santificação, vida esta que tem no estudo e meditação das Escrituras Sagradas um elemento essencial.
É precisamente neste instante difícil por que passamos neste mundo que a Casa Publicadora das Assembleias de Deus, depois de ter tido quatro trimestres temáticos no ano de 2017, brinda-nos com um trimestre bíblico, ou seja, com o estudo de um específico livro da Bíblia Sagrada, que será a Epístola aos Hebreus, escrita num momento muito similar ao que vivemos, em que seu autor procura encorajar os crentes judeus, que passavam por imensas dificuldades e tribulações, a não abandonar a fé, pois havia uma tendência nítida de isto acontecer, retornando tais crentes às práticas do judaísmo.
Tendo a Carta aos Hebreus treze capítulos e este trimestre, excepcionalmente, apenas doze lições, basicamente cada lição será reservada a um capítulo. Assim, a primeira lição, além de introdutória, também abordará o capítulo 1 e, assim, sucessivamente, sendo que a última lição abordará os capítulos 12 e 13, de modo que não há que se falar em blocos do trimestre.
A capa do trimestre apresenta-nos uma luz vindo do interior de um típico túmulo judaico dos tempos de Jesus, a nos lembrar que, por ter vencido a morte e ressuscitado, em máxima humilhação (Fp.2:8-11), Jesus conquistou a proeminência sobre todas as coisas, provou ter sido exaltado sobre todo o nome (Fp.2:9), ter todo o poder nos céus e na terra (Mt.28:18), de forma que nada nos poderá separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm.8:31-39). É esta supremacia de Cristo que é demonstrada na Carta aos Hebreus.
O comentarista deste trimestre é o pastor José Gonçalves, que já tem comentado há alguns as lições bíblicas, presidente das Assembleias de Deus em Água Branca/PI, presidente do Conselho de Doutrina da Convenção Estadual das Assembleias de Deus no Piauí e membro da Comissão de Apologética da CGADB. Que, ao final deste trimestre, apesar de todas as adversidades deste tempo que é o “princípio das dores” (Mt.24:8), todos tenhamos nossa fé, esperança e ânimo renovados, seguindo avante em nossa jornada para os céus.
B) LIÇÃO Nº 1 – A CARTA AOS HEBREUS E A EXCELÊNCIA DE CRISTO
TEXTO ÁUREO
"Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho." (Hb 1.1)
- O autor sagrado usa aqui uma linguagem geral para representar o Antigo Testamento, onde Deus falou e se apresentou “aos pais, pelos profetas” de muitas maneiras. Depois ele faz alusão a Cristo como a figura central na inspiração e preparação plenária do Novo Testamento e por extensão, na sucessão da Igreja até o arrebatamento.
VERDADE PRÁTICA
Por meio de Cristo, Deus revelou-se de uma forma especial e definitiva ao seu povo.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Hebreus 1.1-14
1 - Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho,
2 - a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.
3 - O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade, nas alturas;
4 - feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.
5 - Porque a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho?
6 - E, quando outra vez introduz no mundo o Primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem.
7 - E, quanto aos anjos, diz: O que de seus anjos faz ventos e de seus ministros, labareda de fogo.
8 - Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos, cetro de equidade é o cetro do teu reino.
9 - Amaste a justiça e aborreceste a iniquidade; por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria, mais do que a teus companheiros.
10 - E: Tu, Senhor, no princípio, fundaste a terra, e os céus são obra de tuas mãos;
11 - eles perecerão, mas tu permanecerás; e todos eles, como roupa, envelhecerão,
12 - e, como um manto, os enrolarás, e, como uma veste, se mudarão; mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão.
13 - E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra, até que ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés?
14 - Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Nesta lição introdutória do nosso estudo da Carta aos Hebreus, queremos iniciar dizendo que assim como todos os escritos da Bíblia, esta carta é um documento especial. Em nenhum outro documento do Novo Testamento encontramos um apelo exortativo tão forte. Isso possuía uma razão de ser - os crentes hebreus davam sinais de enfraquecimento espiritual e até mesmo o risco de abandonarem a fé! Era, portanto, urgente admoestá-los a perseverarem. Jesus, a quem o autor mostra ser maior do que os profetas, maior do que todas as hostes angélicas, maior do que Arão, Moisés, Josué e até mesmo os céus, é nosso grande ajudador nessa jornada.
“Isso possuía uma razão de ser - os crentes hebreus davam sinais de enfraquecimento espiritual e até mesmo o risco de abandonarem a fé!”
- Assim como nas cartas aos Hebreus, temos pessoas que já iniciaram o ano de 2018, com dificuldades e provações e com isso nada mais importante de apresentarmos através desse estudo como não abandonarmos a fé mais prevalecer, porque um dos propósitos ao qual essa carta foi escrita foi de fortalecimento espiritual para aqueles que se encontrava em desânimo devido as guerras e lutas que estavam ocorrendo nesse período.
- Com efeito, tudo indica que esta carta foi escrita nas proximidades do início do conflito armado entre judeus e romanos que acabaria por levar à destruição do templo e de Jerusalém no ano 70, a chamada “a guerra dos judeus contra os romanos”, ou “primeira guerra judaico-romana”, ou, ainda, “grande revolta judaica”, tão bem retratada e descrita pelo historiador judeu Flávio Josefo. Os cristãos que viviam na Judéia estavam no meio deste embate em condições amplamente desfavoráveis, já que eram perseguidos tanto pelos judeus quanto pelos romanos em virtude de sua fé em Cristo Jesus.
- Reside aqui a atualidade deste livro das Sagradas Escrituras. Assim como os crentes judeus daquele tempo, a Igreja, nestes momentos últimos da dispensação da graça, também está a sofrer ataques de todos os lados, de todos os movimentos, governos e ideologias. Com efeito, como afirma o filósofo brasileiro radicado nos Estados Unidos, Olavo de Carvalho, percebe-se, no mundo de hoje, a existência de, pelo menos, três movimentos que postulam o predomínio sobre a humanidade: o movimento globalista ocidental, o movimento islâmico e o movimento russo-chinês. Todos eles têm algo em comum: a aversão aos valores judaico-cristãos.
- Por isso, em 2016, cerca de 90 mil cristãos foram mortos por causa de sua fé em Jesus e muitos outros milhares são diariamente perseguidos e violados em seus direitos fundamentais única e exclusivamente porque creram no Evangelho. Ante uma situação dessa, não é difícil que muitos estejam repensando a sua profissão de fé e sejam tentados a, de algum modo, se conformarem a este mundo, abrindo mão de seus princípios e valores. É, portanto, importantíssimo que revisitemos a Carta aos Hebreus e lá encontremos as razões pelas quais devemos perseverar até o fim, guardando a nossa fé, mantendo a nossa esperança e tendo bom ânimo, pois somente assim alcançaremos a salvação, livrando-nos da ira futura.
I - AUTORIA, DESTINATÁRIO E PROPÓSITO
1. Autoria. A Carta aos Hebreus não revela o nome do seu autor. Esse fato fez com que surgissem inúmeras controvérsias em torno de sua autoria. É certo que os cristãos primitivos sabiam quem realmente a escreveu; todavia, já por volta do segundo século da nossa era não havia mais consenso quanto a isso. Clemente de Alexandria, no final do segundo século, atribuiu ao apóstolo Paulo a sua autoria, contudo, ao afirmar que Paulo a escreveu em hebraico e que Lucas a teria traduzido para o grego, passou a ser duramente questionado. As razões são basicamente duas: O texto de Hebreus, um dos mais rebuscados do Novo Testamento grego, não parece ser uma tradução. Por outro lado, o estilo usado na carta não parece ser de forma alguma de Paulo. Outros nomes surgiram como possíveis autores de Hebreus: Barnabé, Apolo, Lucas, Clemente Romano, etc. O certo é que somente Deus sabe quem é o seu autor. Por outro lado, o fato de ter sua autoria desconhecida em nada diminui a sua autoridade.
- O escritor não se identifica no título original, nem através do livro embora fosse bem conhecido dos seus leitores (13. 18-24). Por algum motivo perdeu-se a sua identidade ao findar-se o século I. Posteriormente, na tradição da igreja primitiva (séculos II ao IV), surgiram muitas opiniões diferentes sobre o possível escritor de Hebreus. A opinião de que Paulo haja sido o autor não tinha aceitação até o século V.
Alguns nomes sugeridos para autor dessa epístola:
Lucas
Argumentos favoráveis: Existem similaridades de estilo entre os escritos de Lucas e o texto de Hebreus.
A similaridade de estilos pode ser justificada por uma “atmosfera comum”. Além disso, Hebreus é uma obra mais requintada que Lucas e Atos.
Os pensamentos paulinos em Hebreus poderiam se explicados facilmente, uma vez que Lucas foi companheiro e cooperador do apóstolo.
Argumentos Contrários: Lucas era apenas mais uma das pessoas próximas ao apóstolo. Assim, embora isso o torne provável candidato à autoria de Hebreus, seria apenas mais um entre muitos.
Apolo
Argumentos favoráveis: Apolo era judeu de Alexandria. O autor de Hebreus também era judeu, provavelmente com influência alexandrina.
Embora as características e circunstâncias demonstrem que Apolo poderia ter escrito a epístola, como não há outros escritos de Apolo para que se faça uma comparação, não há evidências de que ele de fato seja o autor. Outra pessoa que viveu no século I, anônimo para nós e com as mesmas qualificações, pode ter escrito Hebreus.
Argumentos Contrários: Tiago, Cefas e João eram considerados como as colunas da igreja de Jerusalém, eles, e não Apolo, seriam mais credenciados para escrever Hebreus.
Outros nomes: Estêvão, Priscila e Áquila, Silvano, Filipe, o evangelista, entre outros.
As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei. Deuteronômio 29:29
2. Destinatários. Não há dúvida de que a Carta aos Hebreus foi escrita para cristãos judeus. Deve ser observado que essa carta foi endereçada a uma comunidade específica de cristãos e não a um grupo indeterminado. O autor conhece o público a quem endereça o seu texto e espera até mesmo encontrar-se com eles (Hb 13.19,23). Onde viviam esses crentes é um ponto debatido pelos teólogos. Baseados na expressão "os da Itália vos saúdam" (Hb 13.24), muitos eruditos argumentam que esses crentes se encontravam fora de Roma, capital do Império Romano. A data da carta é motivo de disputa, mas as evidências internas permitem-nos situá-la antes da destruição do Templo de Jerusalém no ano 70 d.C.
Para quem foi Escrita?
- O emprego que o autor fez da Septuaginta (versão grega do AT), nas citações do AT, indica que os primeiro leitores foram provavelmente judeus de idioma grego que vivia na Palestina. A expressão “Os da Itália vos saúdam” (13.24) significa provavelmente que o autor escrevia para Roma, e que na ocasião incluiu saudações de crentes italianos que viviam longe da pátria.
A data em que foi escrita?
Levando em consideração Hebreus 10.1 em diante, parece que esta epístola foi escrita antes do ano 70 d.C. Neste capítulo, o escritor sagrado faz alusão à adoração no Templo em Jerusalém, e aos sacrifícios diários que eram oferecidos pelos sacerdotes ordinários e também do sacrifício anual que era oferecido pelo sumo sacerdote pelo pecado, em favor de toda a nação (vv. 1,11). Isso nos leva a entender que o santuário ainda se encontrava de pé. Então essa epístola foi escrita antes de 70 d.C.
E, saindo ele do templo, disse-lhe um dos seus discípulos: Mestre, olha que pedras, e que edifícios! E, respondendo Jesus, disse-lhe: Vês estes grandes edifícios? Não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada. Marcos 13:1,2
3. Propósito. O escritor I. Howard Marshal observa que Hebreus combina instrução com exortação. De fato, essa carta possui uma grande carga exortativa. Ela exorta os crentes a terem ânimo, confiança e fé em um tempo marcado pela apostasia. Muitos pareciam estar desanimados com a oposição que a nova fé vinha sofrendo e em razão disso estavam voltando às antigas práticas judaicas. A carta, portanto, exorta esses crentes a suportarem as pressões e perseguições, lembrando-os que não haviam ainda derramado sangue pela sua fé (Hb 12.4). Essas palavras continuam ecoando nesses dias quando muitos crentes demonstram apatia e falta de fervor espiritual diante de um mundo hostil.
- Hebreus foi escrito principalmente para os cristãos judeus que estavam sob perseguição e esmorecimento. O escritor procura fortalecê-los na fé em Cristo, demonstrando cuidadosamente a superioridade e finalidade da revelação e redenção da parte de Deus em Jesus Cristo. Demonstra que as disposições divinas para redenção vistas no Antigo Concerto cumpriram-se e tornaram-se obsoletas pela vinda de Jesus e pelo estabelecimento de um Novo Concerto, mediante a sua morte vicária. O escritor anima os seus leitores:
A manterem firme sua confissão de Cristo até o fim;
A prosseguirem para a maturidade espiritual;
Não volverem ao estado de condenação caso abandonem a fé em Jesus Cristo
Apostasia na igreja
Este termo é mais empregado para se referir ao ato de renúncia da fé religiosa.
Um dos apóstatas mais conhecidos foi Ário, que renegou o princípio católico da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo como um só ser) e criou o Arianismo.
Saiba mais sobre o Arianismo.
No âmbito religioso, existem dois tipos principais de apostasia: a apostasia de doutrinas ou ideias específicas, como aconteceu com Ário; e a apostasia total, quando o indivíduo perde totalmente a sua fé cristã e deixa de acreditar em Deus, por exemplo.
Apostasia na bíblia
Em uma passagem no livro de Tessalonicenses, na bíblia cristã, existe uma menção ao ato da apostasia, que seria a renúncia do "falso cristão" à fé, ou seja, aqueles que realmente tiverem Deus no coração e alma nunca cometeram a apostasia.
"Não deixem que ninguém os engane de modo algum. Antes daquele dia virá a apostasia e, então, será revelado o homem do pecado o filho da perdição." (2 Tessalonicenses, 2:3)
Apostasia e heresia
Na religião, apostasia e heresia possuem significados semelhantes.
Heresia significa “opção” ou “escolha”, e consiste no afrontamento de dogmas ou princípios da igreja.
O herege, normalmente, executa ações que contradizem com os valores de determinada doutrina, sendo considerado, por consequência, um indivíduo impuro e merecedor dos castigos previstos na Palavra de Deus, de acordo com a bíblia.
A Santa Inquisição, por exemplo, foi uma campanha de perseguição aos hereges, no século XIII.
V.Visão panorâmica:
A epístola aos Hebreus é composta por:
13 capítulos
303 versículos
6.454 palavras (Edição Revista e Atualizada);
17 perguntas (1.5 [duas vezes], 13,14; 2.4,6 [duas vezes] 3.17 [duas vezes],18; 7.11; 9.14,17; 10.29; 11.32; 12.7,9)
Citações do Antigo Testamento. Além de seu conteúdo principal, a Epístola aos Hebreus encontra-se pontilhada de citações em seus 13 capítulos. Todos, sem exceção, contêm passagens do Antigo Testamento (cerca de 85 ao todo). Algumas dessas passagens envolvem até livros inteiros, quando é desenvolvido um tema.
II - CRISTO - A PALAVRA SUPERIOR A DOS PROFETAS
1. A revelação profética e a Antiga Aliança. Ao falar da supremacia de Jesus, o autor de Hebreus primeiramente o faz em relação aos profetas. Deus falou no passado pelos profetas e no presente pelo Filho (Hb 1.1). A revelação profética no antigo Israel fez com que esse povo se distinguisse dos demais. O autor mostra um Deus que se revela, que se comunica com os seus. Ele fala de uma forma direta a seu povo, não é um Deus mudo! Os advérbios gregos polymerôs ("muitas vezes") e polytropos ("muitas maneiras"), que modificam o verbo falar, mostram a intensidade dessa comunicação. Deus, em nenhum momento da história, deixou o seu povo sem orientação. Ele fala, e fala sempre o que é necessário.
“A revelação profética no antigo Israel fez com que esse povo se distinguisse dos demais.”
- Os profetas eram os arautos de Deus para o povo de Israel. A Instituição Profética no Antigo Testamento é por demais importantes para ser minimizada. Para um Judeu, a pior desgraça que poderia existir era o silêncio profético. A trombeta profética servia de alerta quando a vida moral, a espiritual e a social não iam bem.
- O significado dos profetas de Israel não reside apenas no que eles disseram, mas também no que eles foram. O autor de Hebreus tem consciência desse fato – os profetas foram arautos de Deus para o seu antigo povo. Todavia, uma voz superior a deles fora levantada - a voz do Filho de Deus! Essa voz era tudo superior a dos profetas. Os profetas foram agentes da revelação divina, mas não foi à revelação final, a última palavra profética, era do Filho de Deus. Nenhum profeta por mais importante que tivesse sido, poderia igualar-se em importância com Jesus Cristo.
2. A revelação profética e a Nova Aliança. Aos cristãos da Nova Aliança, Deus falou por intermédio do seu Filho (Hb 1.1). O uso das expressões "havendo falado" ou "depois de ter falado" (Hb 1.1,2) por parte do autor mostra que essa ação de Deus foi um fato consumado. Isso tem levado alguns intérpretes a dizer que a partir daquele momento, Deus não falaria mais diretamente com ninguém. Mas isso é ir além daquilo que o autor tencionava dizer. O uso dessa expressão é mais bem entendida como significando que Deus falou de forma completa nos dias do autor, todavia, sem a conotação temporal de que não falaria mais no futuro. O Espírito profético, que é o Espírito de Cristo (1 Pe 1.11; Rm 8.9,10), continua dando à Igreja hoje a percepção do plano e vontade de Deus para o seu povo (Jo 14.26; 15.26; 16.13). E isso sempre em consonância com as Escrituras.
- A idéia, aqui, não é que Deus não falaria mais a partir daquele momento, como nos quer fazer acreditar alguns autores, mas, sim, mostra Jesus Cristo como sendo o cumprimento de tudo aquilo que foi predito pelos profetas.
- “Debaixo do Antigo Testamento, as revelações foram feitas em ocasiões distintas por várias pessoas. Em diversas leis e forma de ensinamentos com diferentes graus de clareza, símbolos, tipos e figuras e com distintos modos de revelação, tal como por anjos, visões, sonhos, impressões mentais, etc.; veja Nm. 12.6,8. Todavia, debaixo do Novo Testamento, tudo está feito por uma só pessoa, quer dizer, Jesus, que cumpriu o que disseram os profetas e completou as profecias.”
E disse: Ouvi agora as minhas palavras; se entre vós houver profeta, eu, o Senhor, em visão a ele me farei conhecer, ou em sonhos falarei com ele. Números 12:6
Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a semelhança do Senhor; por que, pois, não tivestes temor de falar contra o meu servo, contra Moisés? Números 12:8
“O Espírito profético, que é o Espírito de Cristo (1 Pe 1.11; Rm 8.9,10), continua dando à Igreja hoje a percepção do plano e vontade de Deus para o seu povo (Jo 14.26; 15.26; 16.13). E isso sempre em consonância com as Escrituras.”
O Espírito Santo nos conduzirá e nos orientará!
Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? 1 Coríntios 3:16
Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? 1 Coríntios 6:19
Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus esses são filhos de Deus. Romanos 8:14
3. Cristo: a revelação final. O objetivo do autor aqui, evidentemente, é mostrar que Cristo é o clímax da revelação profética. Ele é a revelação final! O ministério profético na Antiga Aliança era de importância ímpar. O Senhor disse que falaria por intermédio de seus profetas: "Certamente o Senhor Jeová não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas" (Am 3.7). O silêncio profético, portanto, era a pior forma de castigo que poderia vir ao antigo Israel. Os profetas eram importantes, mas a relevância deles estava muito longe daquela possuída por Jesus Cristo, o Filho de Deus. Os profetas eram apenas servos, mas o Filho era o herdeiro de Deus e o agente da Criação (Hb 1.2). Ele é o redentor do mundo! Nenhum profeta morreu de forma vicária pelo povo de Deus.
“Os profetas eram importantes, mas a relevância deles estava muito longe daquela possuída por Jesus Cristo, o Filho de Deus. Os profetas eram apenas servos, mas o Filho era o herdeiro de Deus e o agente da Criação (Hb 1.2). Ele é o redentor do mundo! Nenhum profeta morreu de forma vicária pelo povo de Deus.”
A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. Hebreus 1:2
- A palavra “herdeiro”, que traduz o termo grego kleronomos, era usada em referência À divisão dos bens que um pai realizava em favor de seus filhos. No judaísmo antigo, esse termo foi usado para o lançamento de sortes para ser definido a quem caberia a parte da herança.
- A idéia é que Jesus Cristo, por ser o único Filho de Deus, tornou-se herdeiro de tudo. Todavia, Ele não era apenas herdeiro de tudo, mais agente da criação. Através dEle, os mundos forma criados. O sentido é que Deus, em Cristo, criou o mundo com tudo o que nele há.
III - CRISTO - SUPERIOR AOS ANJOS
1. Cristo: superior em natureza e essência. Devemos ter sempre em mente que o autor de Hebreus tenciona mostrar a superioridade de Cristo em relação às demais ordens da criação. O seu foco aqui são os anjos. A cultura judaica via os anjos como seres de uma ordem superior e mediadores da revelação divina (At 7.53; Gl 3.19; Hb 2.2). Mesmo cercados de força e poder, os anjos eram inferiores ao Filho (Hb 1.4). Jesus é o reflexo da glória de Deus e possuidor da mesma essência divina (Hb 1.3). O autor usa dois vocábulos gregos que deixam isso bem definido: apaugasma e character, que significam respectivamente "radiância" e "reflexo", traduzidos aqui como resplendor e "caráter", com o sentido de expressão exata do seu ser. Embora sendo pessoas diferentes, tanto o Filho como o Pai possuem a mesma essência. Cristo é o Deus revelado!
O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas; Hebreus 1:3
“O que Deus é, Jesus Cristo também é”
“Mesmo cercados de força e poder, os anjos eram inferiores ao Filho (Hb 1.4). Jesus é o reflexo da glória de Deus e possuidor da mesma essência divina (Hb 1.3).”
- Tendo mostrado a dignidade do Filho de Deus e sua superioridade sobre o ministério profético, o autor passa a fazer um contraste entre Jesus e os anjos. A cultura judaica, representada tanto na literatura canônica, com na apócrifa, dá um papel de destaque as figuras angélicas. Os anjos freqüentemente aparecem nas páginas do Antigo Testamento. O apóstolo Paulo advertiu a igreja de Colossos sobre os perigos de uma adoração angélica:
Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão, Colossenses 2:18
- Em nenhum momento, o autor deprecia a instituição profética, nem tampouco procura desqualificar o papel dos anjos dentro do plano de Deus. O seu foco, porém, é mostrar que ninguém, nem mesmo os anjos, que habitam os céus, pode ser maior do que o Filho de Deus.
“A idéia é a de superioridade em dignidade, valor ou utilidade, sendo a ideia fundamental de poder, e não a de bondade.”
Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação? Hebreus 1:14
2. Cristo: superior em majestade e deidade. O autor passa então a mostrar a supremacia de Cristo em relação aos anjos por meio de vários fatos documentados nas Escrituras. Os anjos são criaturas, o Filho é Criador. O filho é gerado, não criado. C. S. Lewis observa que o que Deus gera é Deus; assim como o que o homem gera é homem. O que Deus cria não é Deus; da mesma forma que o que o homem faz não é homem. Daí a razão de os homens não serem filhos de Deus no mesmo sentido que Cristo. Eles podem assemelhar-se a Deus em certos aspectos, mas não pertencem à mesma espécie. O mesmo se pode dizer dos anjos. Eles não possuem a mesma essência divina que o Filho. É por essa razão que o autor destaca que o Filho é chamado de "Deus" (v.8) e que por isso merece adoração (v.6). A Ele toda honra e glória!
- Embora os anjos sejam chamados na Bíblia de “filhos de Deus” (Jó. 1.6; 2.1), o Senhor, todavia, jamais os chama de “meus filhos”. Essa expressão só é aplicada a Cristo conforme demonstra o Salmo 2. Aqui, não está presente a idéia de uma inferioridade do Filho em relação ao pai pelo fato de aquEle ter sido “gerado”.
“Os anjos são criaturas, o Filho é Criador. O filho é gerado, não criado.”
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. João 1:1-3
- Gerar é tornar-se pai; criar é fazer. A diferença é esta: quando você gera, gera algo da mesma espécie que você. Um homem gera bebês humanos, o urso gera filhotes de ursos, e um pássaro gera ovos que transformam em passarinhos. Mas quando você cria, faz algo de uma espécie diferente da sua. O pássaro faz o ninho, o castor constrói um dique, o homem faz o telégrafo – ou talvez faça alguma coisa mais parecida consigo mesmo, como talvez uma estátua. Mais naturalmente, não é um homem verdadeiro, não respira, não pensa, não fala, não está vivo.
- O que Deus gera é Deus; assim com o que o homem gera é homem. O que Deus cria não é Deus; da mesma forma que o que o homem cria não é homem. Daí a razão de os homens não serem filhos de Deus no mesmo sentido que Cristo. Eles podem assemelhar-se a Deus em certos aspectos, mas não pertencem à mesma espécie. Aproximam-se mais de estátuas ou figura de Deus.
E disse-lhes: Ide por todo omundo, pregai o evangelho a toda criatura. Marcos 16:15
Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; João 1:12
CONCLUSÃO
O autor de hebreus não quis se identificar, mas isso em nada compromete a autoridade desse documento. Desde os primórdios, a igreja valeu-se dos ensinos dessa carta para fortalecer a fé dos crentes. Clemente de Alexandria fez amplo uso das exortações encontradas nessa carta e, ao assim fazer, reconhecia o profundo valor espiritual de Hebreus. Nesses últimos dias, onde os joelhos de muitos cristãos parecem vacilantes, faz-se necessário atentarmos diligentemente para o conselho encontrado em Hebreus, "se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais o vosso coração" (3.7).






































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