Esboço da Lição 2 - Uma Salvação Grandiosa
12 de fev. de 2018
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Lição 02 – Uma Salvação Grandiosa.
TEXTO ÁUREO
"Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos, depois, confirmada pelos que a ouviram." (Hb 2.3)
“A Grandeza da salvação”.
Tão grande (3) sugere a magnitude inexprimível (cf. 2. Co. 1.10; Ap.1.18). Sua grandeza é vista:
No Senhor que a deu (3b) – sua pessoa, seu poder e sua paixão;
Nos acontecimentos sobrenaturais que lhe serviram de berço (v. 4);
Na gravidade excessiva do perigo do qual ela nos liberta – do pecado com sua culpa, poder, contaminação e punição eterna (7.27).
O qual nos livrou de tão grande morte, e livra; em quem esperamos que também nos livrará ainda, 2 Coríntios 1:10
E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno. Apocalipse 1:18
VERDADE PRÁTICA
A salvação não é algo dado ao crente compulsoriamente. O cristão é exortado a ser vigilante e não negligente em relação a essa dádiva recebida.
Vigilância
Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca. Mateus 26:41
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Hebreus 2.1-18
1 - Portanto, convém-nos atentar, com mais diligência, para as coisas que já temos ouvido, para que, em tempo algum, nos desviemos delas.
2 - Porque, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição,
3 - como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos, depois, confirmada pelos que a ouviram;
4 - testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas, e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade?
5 - Porque não foi aos anjos que sujeitou o mundo futuro, de que falamos;
6 - mas, em certo lugar, testificou alguém, dizendo: Que é o homem, para que dele te lembres? Ou o filho do homem, para que o visites?
7 - Tu o fizeste um pouco menor do que os anjos, de glória e de honra o coroaste e o constituíste sobre as obras de tuas mãos.
8 - Todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés. Ora, visto que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou que lhe não esteja sujeito. Mas, agora, ainda não vemos que todas as coisas lhe estejam sujeitas;
9 - vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos.
10 - Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse, pelas aflições, o Príncipe da salvação deles.
11 - Porque, assim o que santifica como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos,
12 - dizendo: Anunciarei o teu nome a meus irmãos, cantar-te-ei louvores no meio da congregação.
13 - E outra vez: Porei nele a minha confiança. E outra vez: Eis-me aqui a mim e aos filhos que Deus me deu.
14 - E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que, pela morte, aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo,
15 - e livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão.
16 - Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão.
17 - Pelo que convinha que, em tudo, fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo.
18 - Porque, naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
O autor dá início à seção de Hebreus 2.1-18 com uma forte exortação. Era necessário, por parte dos crentes maior firmeza em relação às coisas espirituais. O que o autor observava entre eles era certa letargia e negligência diante de um fato de tão grande importância como é a salvação. Nesse aspecto a resposta devia ser dada por meio do retorno às verdades anteriormente ouvidas e que haviam sido esquecidas. Isso era de suma importância porque evitava que algum deles viesse a se desviar. De fato, o vocábulo grego usado pelo autor - pararreo -, traduzido como "desviar", significa originalmente "perder o rumo". O termo era usado também em relação a um barco que acidentalmente era desancorado e lançado à deriva em alto mar. No pensamento do autor só havia uma maneira de manter-se no rumo certo: ancorando o barco no porto seguro, Jesus.
- Valendo-se de uma pergunta retórica, o autor indaga aos seus leitores se haveria alguma chance de escapar, parta aqueles que fossem negligentes e não atentasse para essa tão Grande Salvação. A resposta é obvia que não haveria chance alguma.
- A palavra grega amelesantes,traduzida como “atentar”, “negligenciar”, é um particípio que ocorre quatro vezes no Novo Testamento Grego (Mt. 22.5; 1 Tm. 4.14; Hb. 2.3; 8.9).
Significado de Negligenciar: Não ter cuidado com; ter negligência nos modos como se trata algo ou alguém; desleixar ou desleixar-se: a mãe negligenciou os filhos; ele se negligenciou após o seu casamento.
Em Mateus, é usado no sentido de “não dar atenção”;
Em 1 Timóteo 4.14, é usado para exortar a Timóteo a não “negligenciar” o dom de Deus;
Em Hebreus 8.9, é usado para dizer que Deus não “atentou” para os desobedientes.
“Era necessário, por parte dos crentes maior firmeza em relação às coisas espirituais. O que o autor observava entre eles era certa letargia e negligência diante de um fato de tão grande importância como é a salvação. Nesse aspecto a resposta devia ser dada por meio do retorno às verdades anteriormente ouvidas e que haviam sido esquecidas.”
Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal. 2 Coríntios 5:10
- Não devemos fazer as coisas de Deus com desleixos as coisas de Deus como têm visto muitas pessoas assim executar. Porque em tempo em que pessoas estão, se preocupando tanto com as coisas materiais e negligenciando as coisas espirituais. Devemos buscar as coisas de baixo, porém sempre não negligenciando as coisas espirituais.
I - UMA SALVAÇÃO GRANDIOSA
1. Testemunhada pelo Senhor. O autor faz um contraste entre as alianças do Sinai e do Calvário. Enquanto a Antiga Aliança foi intermediada por anjos (v.2), a Nova Aliança tinha Jesus, o Filho de Deus, como seu mediador. O autor, então, faz uma analogia entre as duas Alianças para que o contraste entre ambas fique bem definido. Foi Jesus, o Filho de Deus, e não os anjos, que anunciou essa tão grande salvação. Por serem mediadores da Lei, os anjos despertavam grande estima e respeito dos judeus por eles. Se uma Aliança firmada na Lei, mediada por anjos, imperfeita e transitória, requeria obediência por parte dos crentes, muito mais a Nova Aliança que é perfeita e eterna. Se quem não observava os princípios do Antigo Pacto, quebrando os seus preceitos, era punido de forma dura, que castigo merecia quem ultrajava a Nova Aliança, que em tudo era superior?
- Havia uma tradição judaica antiga na qual afirmava que a Lei fora entregue pelos anjos (Gl. 3.19; At. 7.53; Targ. Dt. 33.2). Por haver sido mediada por anjos, a Lei era vista e observada meticulosamente pelos judeus.
“Enquanto a Antiga Aliança foi intermediada por anjos (v.2), a Nova Aliança tinha Jesus, o Filho de Deus, como seu mediador.”
- A conclusão a que o autor quer chegar é simples: ora, se a Lei, que fora entregue por anjos, merecia tanta atenção, então não merecia atenção maior ainda a palavra falada pelo Filho?(Hb.1.1).
Iremos citar alguns contrastes entre a Antiga Aliança e a Nova:
Na inauguração da Antiga Aliança o caso do bezerro de ouro morreram aproximadamente 3.000 pessoas (Êx.32. 28,29), porém, na inauguração da Nova Aliança temos conversão de 3.000 pessoas. (At. 2.41)
Quando do caso da Torre de Babel (AT), houve a confusão das línguas no Antigo Testamento, porém, na descida do Espírito Santo (NT) houve uma reversão da confusão das línguas.
“Se quem não observava os princípios do Antigo Pacto, quebrando os seus preceitos, era punido de forma dura, que castigo merecia quem ultrajava a Nova Aliança, que em tudo era superior?”
Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. Mateus 5:21
Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno. Mateus 5:22
- Não se mata somente atirando um projétil contra alguém , porém, Jesus mostra o Espírito por trás da letra, que informa que as palavras mata da mesma maneira.
2. Proclamada pelos que a ouviram. Essa salvação grandiosa foi primeiramente anunciada pelo Senhor e, posteriormente, por "aqueles que a ouviram" (Hb 2.3). Fica evidente nesse texto que o autor não foi uma testemunha ocular dos feitos de Jesus, mas recebera a Palavra por meio dos que a "ouviram". Mesmo não tendo recebido a Palavra de Deus diretamente do Senhor, o autor não tem dúvida que a mensagem apostólica era essencialmente a mesma Palavra de Deus. Esse fato deveria fazer com que os crentes fossem mais diligentes na observância dos preceitos neotestamentários. De fato, a palavra bebaioô, aqui traduzida como "confirmar", tem o sentido de algo que transmite segurança e confiança. Em outras palavras, o que o Senhor anunciou e que, posteriormente, foi proclamado por testemunhas oculares, deve servir de fundamento da nossa fé.
Três testemunhas provam a autenticidade desta tão grande salvação e a razão pela qual os leitores não deveriam ser indiferentes a ela:
1. O próprio Senhor Jesus, e não anjos ou pessoas, anunciou esta salvação (Veja Lc.19.9; Jo. 4.22);
2. Aqueles que ouviram falar, testemunhas oculares do ministério de Jesus, passaram adiante a mensagem de Jesus. Estes leitores (e, aparentemente o autor) não tinham visto a Cristo em carne. Eles são como nós; não vimos a Jesus pessoalmente. Baseamos a nossa crença em Jesus nos relatos de testemunhas oculares que foram registrados na Bíblia (Jo. 20.29);
3. Deus testificou da mensagem por sinais, e milagres, e várias maravilhas, e dons do Espírito Santo. Estas coisas não foram dadas por Deus para glorificar os apóstolos, ou para maravilhar o povo. Antes, Deus demonstrou o seu poder através dos apóstolos com estes eventos extraordinários, testificando assim sobre a verdade da grande salvação que os apóstolos proclamavam. Os dons servem como um lembrete constante aos crentes pelos séculos de que o Evangelho da salvação é verdadeiro. Ele foi anunciado e confirmado, e muitos testificam de sua veracidade e poder mesmo hoje. Desviar-se desta verdade (2.1) seria tanto uma tolice como um desastre.
“Essa salvação grandiosa foi primeiramente anunciada pelo Senhor e, posteriormente, por "aqueles que a ouviram" (Hb 2.3).”
Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.Atos 1:8
“Em outras palavras, o que o Senhor anunciou e que, posteriormente, foi proclamado por testemunhas oculares, deve servir de fundamento da nossa fé.”
Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento. Hebreus 5:12
3. Confirmada pelo Espírito Santo. A mensagem, que primeiramente fora anunciada pelo Senhor e testemunhada pelos que a ouviram, foi instrumentalizada pelo Espírito Santo. Nesse aspecto, as traduções - "distribuições feitas pelo Espírito Santo" ou "distribuições do Espírito Santo" (Hb 2.4) - expressam bem o que o autor quis dizer. O Espírito Santo é o agente por trás de cada milagre e sinal operados na história do povo de Deus, tanto do passado quanto do presente. O autor quer chamar a atenção de seu público leitor mais uma vez para a importância da mensagem recebida, ou seja, ela fora também testemunhada de uma forma concreta e palpável pelo Espírito Santo por intermédio da distribuição de seus muitos dons.
“O Espírito Santo é o agente por trás de cada milagre e sinal operados na história do povo de Deus, tanto do passado quanto do presente.”
- Podemos citar que o único Livro histórico do Novo Testamento, poderia até mesmo ser chamado “Os Atos do Espírito Santo”, e com isso podemos entender que o Espírito Santo é o fundamento necessário na vida do crente para a propagação do Evangelho.
E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção. Efésios 4:30
Não extingais o Espírito. 1 Tessalonicenses 5:19
Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo. Salmos 51:11
II - UMA SALVAÇÃO NECESSÁRIA
1. Por intermédio da humanização do Redentor. Na seção vv.5-9, o autor toma o Salmo 8 como pano de fundo de seu argumento (Sl 8.4-6). Nesse aspecto, ele segue a Septuaginta que usa o termo "anjo", em vez do texto massorético, que traz a palavra "Deus". Na mentalidade judaica, da qual o autor participa, o homem foi feito como coroa da criação e a ele foi confiado todo o domínio. Todavia, devido à queda, esse domínio fora perdido. Na mente do autor dessa Escritura, portanto, o Salmo 8 não pode se aplicar a Adão, nem tampouco a raça pós-queda, mas a Jesus, o Messias, que por meio da cruz, veio restaurar a humanidade caída.
Texto massorético ou masorético é o texto hebraico da Bíblia utilizado com a versão universal da Tanakh para o judaísmo moderno, e também como fonte de tradução para o Antigo Testamento da Bíblia cristã, inicialmente pelos protestantes e, modernamente, também por tradutores católicos.
Que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites? Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste. Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: Salmos 8:4-6
- Observamos nesse momento ima transição na exposição acerca da pessoa e propósito de Jesus, com uma ênfase agora não na sua filiação herdada, mas no significado e propósito da encarnação. Jesus não deve ser identificado com os anjos ou como um anjo. Ele deve ser identificado com os homens.
- A citação do Salmo 8. 4-6 revela o lugar do homem no plano de Deus. Fisicamente, em relação ao universo, ele é insignificante; então, por que Deus deveria se lembra dele? Tanto em posição quanto em poder ele é inferior aos anjos, mas somente temporariamente.
Porque não foi aos anjos que sujeitou o mundo futuro, de que falamos. Hebreus 2:5
- O fato de destaque pelo autor é que o mundo será, com efeito, submetido ao governo não angélico, mas humano. O autor afirma essa crença, porém destacando que essa promessa teve seu fiel cumprimento no Messias, que era divino e humano. O autor passa a citar o Salmo 8.
2. Por meio do sofrimento do Redentor. Para um judeu do primeiro século era escandalosa a idéia de um Messias sofredor. Como então assegurar que Jesus era superior aos anjos se Ele morrera em uma cruz? O autor de Hebreus usa o versículo cinco do Salmo 8 para explicar esse aparente paradoxo. Sim, argumenta ele, Jesus de fato foi feito um "pouco" menor do que os anjos por causa da sua humanização. Os intérpretes entendem que as palavras "pouco" e "pouco tempo" (Hb 2.7,9) podem denotar posição ou tempo. Em outras palavras, Jesus se tornou "menor" que os anjos enquanto vivia os limites da condição humana e experimentou o sofrimento advindo desse estado de humilhação. Todavia, foi por meio deste mesmo sofrimento de Cristo que os homens tornaram-se livres.
Tu o fizeste um pouco menor do que os anjos, De glória e de honra o coroaste,E o constituíste sobre as obras de tuas mãos; Hebreus 2:7
- A frase “tu o fizeste um pouco menor do que os anjos” mostra a superioridade humana sobre todas as outras coisas criadas, exceto os anjos. Porém, devido os pecados que praticaram, as pessoas fracassaram em viver à altura de seu potencial, cumprir corretamente esta responsabilidade, ou usar sabiamente a sua autoridade.
- O salmo citado aqui se referia originalmente à humanidade e o seu papel na criação, e o Salmo é considerado messiânico. O autor pode ter pensado no sentido duplo que está incluído nas palavras filho do homem, mostrando que Jesus cumpriu o papel e o destino originalmente comissionados às pessoas.
3. Por intermédio da glorificação do Redentor. Na mente do autor, Cristo não sofreu para ser glorificado, mas Ele foi glorificado porque sofreu. Foi por intermédio do sofrimento que Ele foi "coroado de glória e de honra, [...] para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos" (Hb 2.9). Para os crentes que viam no sofrimento algo incompatível com o viver cristão, e que, devido a isso estavam desanimados, essas palavras serviam de ânimo e consolo.
Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos. Hebreus 2:9
- Portanto, o texto afirma que, devido à sua humilhação, Jesus temporariamente foi feito menor do que os anjos, e não que Ele tornou-se menos digno do que os seres angélicos.
- O autor aos Hebreus coloca a glorificação como um evento que seguiu a humilhação de Cristo. Pela primeira vez, o autor cita aqui o nome “Jesus”, o que é uma clara demonstração de sua humanização.
E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. João 1:14
- Por causa da vida perfeita de Cristo e de seu sacrifício pelos pecadores, Ele está agora coroado de glória e de honra. Cristo é digno de receber estas recompensas porque ele sofreu a paixão da morte por os. Por meio de uma explicação adicional sobre esta morte, o escritor elaborou a sua frase: Para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos.
III - UMA SALVAÇÃO EFICAZ
1. Vitória sobre o Diabo. Na conclusão de seu argumento o autor mostra os métodos e os resultados dessa grandiosa salvação. Para que a salvação se efetivasse o Salvador precisava sofrer e morrer pelos homens. Somente por meio da morte na cruz, o Diabo, arqui-inimigo dos homens, seria derrotado (Hb 2.14). O autor usa o verbo grego catargeo para se referir à derrota de Satanás. Esse verbo tem o sentido de "destronar" ou "tornar inoperante". Por intermédio da cruz, Cristo destronou e desarmou Satanás das armas que este possuía. Foi na cruz que Ele despojou os principados e as potestades e nos garantiu a vitória (Cl 2.15).
E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; Hebreus 2:14
- Depois de elaborar o seu caso de que Cristo havia se tornado um ser humano, o escritor explicou por que essa associação e identidade eram importantes. A morte é o medo comum e a experiência final de todas as pessoas, e somente o ser humano, feito de carne e sangue, é que Cristo poderia morrer, porque somente morrendo Ele poderia aniquilar o poder do diabo, que tinha o império da morte.
- A sua morte e o seu retorno à vida mostraram que a morte tinha sido derrotado.
Sabendo que, tendo sido Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte não mais tem domínio sobre ele. Romanos 6:9
2. Vitória sobre a morte. Com a entrada do pecado no mundo a morte passou a ser um inimigo temido. Essa arma poderosa era usada por Satanás para manter os homens debaixo do jugo do medo (Hb 2.15). Todavia, ao morrer na cruz por todos os homens, Jesus venceu a morte. Os homens continuam a morrer, mas os que o recebem como Salvador tem a vida eterna, pois a morte não tem mais domínio sobre eles.
E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão. Hebreus 2:15
- As pessoas sempre foram escravas do medo da morte, No final, porém, a morte atinge a todos. Através de Cristo, no entanto, não precisamos mais ter medo de morrer e da morte.
- Cristo morreu e ressuscitou, e somente desta forma Ele poderia libertar a humanidade. Pelo fato de Cristo ter morrido e ressuscitado, nós não precisamos mais ser escravizado pelo medo de morrer. Sabemos que, pelo fato de Jesus Cristo ter ressuscitado, nós também ressuscitaremos.
- Nós morreremos fisicamente, mas recebemos a promessa de novos corpos e uma nova vida na eternidade com Deus. Assim, a morte tornar-se a entrada para uma nova vida (1 Co. 15. 55,57; 2 Co. 5.8).
3. Vitória sobre a tentação. Pela primeira vez na epístola o autor usa a denominação "sumo sacerdote" em relação a Jesus (Hb 2.17). O tema do sacerdócio de Cristo será explorado pelo autor com maior profundidade em passagens posteriores (Hb 3.1; 4.14-16; 5.1-10; 6.20; 7.14-19,26-28; 8.1-6; 9.11-28; 10.1-39). Todavia, aqui o seu uso é justificado no contexto da identificação de Jesus com seus "irmãos", os salvos. Esse sumo sacerdote é misericordioso e fiel. Por ter assumido a natureza humana, e se identificado com os homens nos seus limites, Ele sabe o que é ser tentado e por essa razão está pronto a ajudá-los.
Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo. Hebreus 2:17
- Jesus tornou-se semelhante a nós, seus irmãos e irmãs, para que pudesse ser misericordioso e fiel Sumo sacerdote. No Antigo Testamento, o sumo sacerdote era o mediador entre Deus e o povo. Mas a morte e a ressurreição de Jesus inauguraram uma nova aliança.
- A morte de Jesus trouxe o perdão de uma vez por todas para aqueles que nele crêem. Cristo executou perfeitamente e completamente as obrigações de um sumo sacerdote. Por isso, o escritor o chama de Sumo Sacerdote, o nosso representante diante de Deus.
- Jesus tornou-se semelhante a nós em tudo, exceto na natureza pecaminosa – Jesus nunca compartilhou esta parte da humanidade (Hb. 4.15; 7.26). Somente desta forma Ele poderia oferecer um sacrifício para expiar os pecados do povo. Este sacrifício foi a sua vida.
- Um Deus santo não pode ignorar o pecado; assim, o pecado da humanidade tinha que ser punido. No Antigo Testamento, Deus pediu que o seu povo sacrificasse animais (animais “perfeitos”, saudáveis e sem defeitos) para expiar os seus pecados.
- Deus lidou de uma vez por todas com o pecado e com a sua conseqüência final – a morte e a separação eterna de Deus. Em vez de mandar toda a humanidade para a punição eterna, o próprio Deus tomou o castigo sobre si mesmo (Rm. 8.3).
- O pecado tinha que ser punido, mas Jesus derramou o seu sangue – deu a sua vida – para tirar os nossos pecados, para que não tivéssemos que experimentar a morte espiritual. Seu sacrifício transforma a nossa vida e o nosso coração e purifica o nosso interior.
CONCLUSÃO
Por meio da sua humanização e humilhação Jesus se tornou o legítimo Sumo Sacerdote representante da humanidade. Os anjos de fato são seres especiais a serviço de Deus, entretanto, Jesus não veio socorrê-los, mas buscar a descendência de Abraão, os crentes. Por intermédio de seu sofrimento e morte, Ele pode dar vida aos que estão mortos.






































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